Cumprir eliminação das barreiras arquitectónicas
em diploma do PCP

O direito à vida autónoma<br>e independente

O PCP quer ver cumprida a legislação que prevê a eliminação das barreiras arquitectónicas que condicionam a vida das pessoas com deficiência. Medidas concretas visando esse objectivo constam de um projecto de resolução entrado na AR.

Há que cumprir o direito à mobilidade, integração e autonomia das pessoas com deficiência

Em causa está o direito a uma vida autónoma, digna e independente que continua a ser negado a milhares de pessoas com deficiência, fruto em larga medida dos obstáculos a que estão sujeitas no plano das acessibilidades, impedindo-as de se mover no interior das suas vilas e cidades e de aceder a edifícios públicos.

Alterar essa situação foi o que se propôs fazer o poder político com o diploma que entrou em vigor em 8 de Fevereiro de 2007 (Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de Agosto, que revogou o Decreto-Lei n.º 123/97), visando melhorar a legislação existente e alargar as normas técnicas de acessibilidade aos edifícios habitacionais.

Não obstante nele se determinar que as instalações, edifícios, estabelecimentos e espaços abrangentes cujo início de construção seja anterior a 22 de Agosto de 1997 (da administração pública central, regional e local, institutos públicos, bem como passeios e outros percursos pedonais pavimentados, espaços de estacionamento, equipamentos sociais, unidades de saúde, estabelecimentos de educação, estações, estabelecimentos comerciais (mais de 150 m2) e de serviços, instalações desportivas, espaços de recreio e lazer, etc.) tinham um prazo de dez anos para ser adaptados - prazo esse que acaba em Fevereiro de 2017 -, de modo a garantir o cumprimento das normas técnicas (e consequentes sanções em caso de persistência das desconformidades após o fim do prazo), a verdade é que «muito está por cumprir».

Ou seja, como salienta o Grupo Parlamentar do PCP no seu projecto de resolução, as exigências colocadas pelo diploma «estão longe de estarem concretizadas», o que significa que se mantêm as barreiras que dificultam ou impedem o acesso das pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida, dificultando mesmo a sua simples circulação na via pública.

Cumprir a Lei

E por achar «inaceitável» que o acesso a edifícios públicos continua a não ser uma possibilidade ao alcance de todos, dada a subsistência de barreiras arquitectónicas - e tendo presente que o prazo para operar as mudanças expira já no início do próximo ano -, é que o PCP defende que sejam adoptadas medidas urgentes no sentido de concretizar os objectivos da legislação vigente.

Daí a recomendação proposta no seu diploma - face à contínua desresponsabilização política e ao não respeito pelas normas técnicas na maioria de edifícios, estabelecimentos e equipamentos de utilização pública e via pública - para que o Governo determine a elaboração de um amplo levantamento da situação das acessibilidades a nível nacional, a realizar no prazo de 180 dias, pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), acompanhado de um relatório a enviar à AR.

Recomendado é ao Executivo, por outro lado, que tome as medidas necessárias para que o Instituto Nacional de Reabilitação (INR), no mesmo prazo de 180 dias, elabore um relatório circunstanciado sobre a execução e metas atingidas em relação ao Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade (aprovado em conselho de ministros em Dezembro de 2006), fazendo chegar igualmente o correspondente relatório ao Parlamento.

Além destas duas recomendações, o diploma comunista propõe ainda à AR que aconselhe o Governo a tomar medidas com vista ao cumprimento das referidas adaptações previstas no D.L. n.º 163/2006, dentro do estabelecido prazo de 10 anos a partir do início de vigência do diploma.

Por último, recomenda-se ao Executivo que identifique os instrumentos necessários para um efectivo acompanhamento e fiscalização do cumprimento o diploma, tomando as «medidas para a implementação e/ou adaptação desses mesmos instrumentos».




Mais artigos de: Assembleia da República

Direitos são para defender

Foi publicado em Diário da República, dia 8, uma resolução do Parlamento onde este recomenda ao Governo que «salvaguarde os direitos dos trabalhadores no processo de reestruturação do Novo Banco».

Por melhores cuidados<br>de saúde

O Parlamento aprovou no final da sessão legislativa, antes do período de férias, um projecto de resolução do PCP preconizando a melhoria da prestação de cuidados de saúde na Lezíria do Tejo. Aprovadas por unanimidade foram...

PCP reclama<br>por urgente requalificação

PCP entregou na AR um projecto de resolução que recomenda ao Governo a «urgente requalificação» da centenária Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto. «Face à gravíssima situação de degradação das...

Mantém-se isenção<br>proposta pelo PCP

Aprovada pelo Parlamento na ponta final dos trabalhos foi a manutenção da isenção de imposto à aguardente de figo destinada ao consumo próprio dos pequenos produtores. A proposta partiu do PCP, sob a forma de projecto de resolução, e visou manter o critério...

Transferências em hospitais<br>de Trás-os-Montes

Na sequência da transferência de especialistas de Ortopedia e Anestesia, mesmo que temporária, para outros hospitais, o PCP questionou o Governo sobre esta situação, pedindo explicações sobre o impacto de tal medida na capacidade da prestação de cuidados de...